No meu último ano de Pedagogia, apresentei como TCC um artigo onde o tema abordado é a importância da brincadeira na infância, o tema é sempre atual, pois a cada dia descobrimos como é importante para a criança a sua interação com outras crianças, o exemplo dado pelos adultos, o envolvimento dos pais, escola e familiares para que essa criança tenha seu pleno desenvolvimento. Abaixo um pequeno resumo, na verdade o painel que foi montado para a apresentação do artigo, foi muito difícil escolher o que colocar, porque tudo que pesquisei, achei de suma importância.
A
IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS E DOS JOGOS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
Alessandra Neves Moreno (Acadêmica de
Pedagogia), Eloisa Elena da Silva (Orientadora), Verônica da Silva Martins (Co-orientadora/Tutora)
RESUMO: Qual a importância das brincadeiras e dos jogos para o
desenvolvimento infantil? Através dessa problematização, o presente artigo é resultado de um estudo teórico que visa
compreender a contribuição que as brincadeiras e os jogos trazem para o
desenvolvimento da criança, partindo como ponto principal as concepções
teóricas de Vygotsky, Piaget e outros
autores de grande relevância. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, na qual
buscamos evidenciar o papel das brincadeiras e dos jogos na aprendizagem,
reconhecendo-a como importante no desenvolvimento da percepção, do
cognitivo, da imaginação, da fantasia, dos sentimentos, como instrumento facilitador na assimilação de conhecimentos, na resolução de conflitos, na
apropriação de valores. Por meio das atividades lúdicas, a criança comunica-se
consigo mesma e com o mundo, aceita a existência dos outros, estabelece relações
sociais, constrói conhecimentos, desenvolvendo-se integralmente.
Palavras-chave: Jogos,
brincadeiras, desenvolvimento infantil.
INTRODUÇÃO
Percebe-se
que muitas pessoas como pais, inclusive educadores, desconhecem ou não estão
convencidos sobre a importância que à brincadeira e os jogos traz ao
desenvolvimento infantil. Na realidade, as brincadeiras e os jogos deveriam ser
considerados suas atividades mais sérias e importantes e se queremos entender
nossos e filhos, precisamos entender suas brincadeiras, pois brincando, as
crianças demonstram como ela veem e
constroem o mundo, assim, como ela gostariam que ele fosse, bem como o que as
preocupam e os problemas que as cercam.
Piaget
específica quatro fatores como sendo responsáveis pela psicogênese do intelecto
infantil: o fator biológico, particularmente o crescimento orgânico e a
maturação do sistema nervoso; o exercício e a experiência física, adquiridos na
ação compreendida sobre os objetos; as interações e as transmissões sociais,
que se dão basicamente, através da linguagem, e da educação e o fator de equilibração das ações.
(PALANGANA, 2001, p.22).
Segundo
Piaget (1978), o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico, pois a
criança precisa brincar para crescer, precisa do jogo como forma de equilibração com o mundo, assim
como Vygotsky (1984, p.27),
defende que é na interação com as atividades que envolvem simbologia e
brinquedos que o educando aprende a agir numa esfera cognitiva, a criança
comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real, tanto
pela convivência de uma situação imaginária, quanto pela capacidade de
subordinação às regras.
Para Vygotsky (1998, p.27), a
criança nasce em um meio cultural repleto de significações sociais e
historicamente produzidas, definidas e codificadas, que são constantemente ressignificadas e apropriadas pelos
sujeitos, constituindo-se assim, em motores do desenvolvimento, deve ser visto
como um processo cultural que ocorre necessariamente mediado por outro social.
O jogo é
definido por Piaget como a expressão de uma das fases dessa diferenciação
progressiva: é o produto da assimilação, dissociando-se da acomodação antes de
se reintegrar nas formas de equilibração permanente que dele farão se complemento, ao nível do
pensamento operatório ou racional(...) O jogo constitui o polo extremo da
assimilação do real ao eu ( PIAGET apud FRIEDMANN, 2006, p.22).
Vygotsky (1998, p.137) afirma
que a essência do brinquedo está na criação de uma relação da criança entre as
situações de pensamento e situações reais, além disso ele funciona como um
importante indicador do seu desenvolvimento e irá influenciar na sua forma de encarar
o mundo e suas ações futuras.
A autora Gisela Wajskop (1997, p.81-82)
define que brincar é manipular o sentido das palavras, dos sentimentos e da
realidade, tendo consciência de que é uma simulação. Brincar é constituir e
constituir-se numa linguagem. Brincar é, portanto, uma atividade imaginativa e
interpretativa. Brincar é experimentar através da repetição e dessa ação
imaginativa outras formas de ser e pensar. É também, repetir o já conhecido
para compreendê-lo e adaptar-se a ele.[...] Enfim, a brincadeira é uma
atividade sociocultural: origina-se nos valores e hábitos de uma sociedade ou
grupo social.
INTERVENÇÃO
PEDAGÓGICA
A
imaginação conforme Vygotsky (1998, p.117) é um
elemento fundamental da brincadeira e do jogo, pois, sempre que brinca, a
criança cria uma situação imaginária na qual assume um papel social, como na
brincadeira de casinha, a criança se imagina e utiliza objeto da mesma forma de
uma adulto, quando põe a mesa, cuidar dos filhinhos,
assumindo assim o papel de um adulto envolvido em uma atividade similar. Nessa
perspectiva, a imaginação, o faz-de-conta permite que a criança execute uma
tarefa mais avançada do que o usual para sua idade, agindo mais velha do que
realmente ela é.
[...] no subperíodo das representações
pré-operatórias, uma criança de quatro anos (S) brinca com sua boneca (O); ela
atua no nível das intuições. Ela “penteia” a sua boneca, “dá banho” nela, põe
pra “dormir”. A boneca fica “arrumada e limpa”, “dorme” tec. Essa troca leva a
criança a ter reações, e a boneca a ter pertubações (modificar-se). Assim, a criança vai conhecendo,
construindo suas estruturas mentais.(PIAGET apud FRIEDMANN, 2006, p.60).
As crianças utilizam
o brinquedo para externar suas emoções, constroem um mundo ao seu modo,
questionam o universo dos adultos; nascem em um mundo regido por regras sociais
e por meio das brincadeiras adaptam-se e internalizam essas regras. Segundo
VYGOTSKY apud REGO (1995, p. 82- 83) o mesmo comenta: “... no brinquedo a
criança sempre se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de
seu comportamento diário: no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na
realidade”.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No
transcorrer do trabalho, procuramos fazer reflexões sobre a importância das
brincadeiras e dos jogos no desenvolvimento da criança. Tais movimentos
reflexivos nos levaram a compreender a possibilidade real de ver a ludicidade como fundamental na
contribuição para o desenvolvimento pleno das crianças. Tais resultados
demonstram que através dos jogos e das brincadeiras, a criança tem a
oportunidade não de apenas vivenciar as regras impostas, mas de transformá-las,
recriá-las de acordo com as suas necessidades de interesse e, ainda,
entendê-las.
Mais do
que uma simples recreação, um passatempo, os jogos e as brincadeiras contribuem
para a construção de conhecimento das crianças, desde que sejam utilizados em
atividades lúdicas, prazerosas. O lúdico proporciona um desenvolvimento pleno,
sadio, harmonioso, é significativo para a criança poder conhecer, compreender e
construir seus conhecimentos tornar-se cidadã. A criança precisa brincar,
inventar e criar para crescer e manter seu equilibro com o mundo, brincar é uma
forma de a criança exercitar sua imaginação, construir seu conhecimento,
externar suas emoções, experimenta situações de vida como a competição,
cooperação, coragem, medo, alegria e tristeza, é uma ponte entre a realidade da
criança e a realidade dos adultos.
É através
das brincadeiras e dos jogos que podemos compreender como a criança vê e
constrói o mundo, quais são seus problemas e suas preocupações, como ela
gostaria que fosse o mundo, perceber que faz parte de um grupo, de uma cultura,
de uma sociedade. Desde muito cedo o brincar se tornou importante na vida da
criança, quando esse se apresenta como uma atividade livre, criando um ambiente
adequado para que ela possa investigar, explorar, criar, extravasar suas
emoções e resolver conflitos, ou seja, a importância das brincadeiras e dos
jogos é considerado como um instrumento incentivador e motivador no processo de
desenvolvimento.
REFERÊNCIAS
FRIEDMANN,
Adriana. O brincar no cotidiano da criança. São Paulo: Moderna,
2006.
PALANGANA,
Isilda C. Desenvolvimento
e aprendizagem em Piaget e Vygotsky – A relevância do social. São Paulo: Summus Editorial, 2001.
PIAGET, J. A formação
do símbolo na criança: imitação jogo e sonho, imagem e representação.Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.
REGO, Teresa Cristina. Vygotsky -
uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes,
1995.
WAJSKOP, Gisela. Brincar
na pré-escola. 2. ed.
São Paulo : Cortez, 1997.
VYGOTSKY, L. S.
A Formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento
e linguagem. São
Paulo: Martins Fontes, 1984.
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