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12 de fev de 2013

A IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS E DOS JOGOS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL


No meu último ano de Pedagogia, apresentei como TCC um artigo onde o tema abordado é a importância da brincadeira na infância, o tema é sempre atual, pois a cada dia descobrimos como é importante para a criança a sua interação com outras crianças, o exemplo dado pelos adultos, o envolvimento dos pais, escola e familiares para que essa criança tenha seu pleno desenvolvimento. Abaixo um pequeno resumo, na verdade o painel que foi montado para a apresentação do artigo, foi muito difícil escolher o que colocar, porque tudo que pesquisei, achei de suma importância.



A IMPORTÂNCIA DAS BRINCADEIRAS E DOS JOGOS NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL


Alessandra Neves Moreno (Acadêmica de Pedagogia), Eloisa Elena da Silva (Orientadora), Verônica da Silva Martins (Co-orientadora/Tutora)


RESUMO: Qual a importância das brincadeiras e dos jogos para o desenvolvimento infantil? Através dessa problematização, o presente artigo é resultado de um estudo teórico que visa compreender a contribuição que as brincadeiras e os jogos trazem para o desenvolvimento da criança, partindo como ponto principal as concepções teóricas de Vygotsky, Piaget e outros autores de grande relevância. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, na qual buscamos evidenciar o papel das brincadeiras e dos jogos na aprendizagem, reconhecendo-a como importante no desenvolvimento da percepção, do cognitivo, da imaginação, da fantasia, dos sentimentos, como instrumento facilitador na assimilação de conhecimentos, na resolução de conflitos, na apropriação de valores. Por meio das atividades lúdicas, a criança comunica-se consigo mesma e com o mundo, aceita a existência dos outros, estabelece relações sociais, constrói conhecimentos, desenvolvendo-se integralmente.
Palavras-chave: Jogos, brincadeiras, desenvolvimento  infantil.

INTRODUÇÃO
Percebe-se que muitas pessoas como pais, inclusive educadores, desconhecem ou não estão convencidos sobre a importância que à brincadeira e os jogos traz ao desenvolvimento infantil. Na realidade, as brincadeiras e os jogos deveriam ser considerados suas atividades mais sérias e importantes e se queremos entender nossos e filhos, precisamos entender suas brincadeiras, pois brincando, as crianças demonstram como ela veem e constroem o mundo, assim, como ela gostariam que ele fosse, bem como o que as preocupam e os problemas que as cercam.

Piaget específica quatro fatores como sendo responsáveis pela psicogênese do intelecto infantil: o fator biológico, particularmente o crescimento orgânico e a maturação do sistema nervoso; o exercício e a experiência física, adquiridos na ação compreendida sobre os objetos; as interações e as transmissões sociais, que se dão basicamente, através da linguagem, e da educação e o fator de equilibração das ações. (PALANGANA, 2001, p.22).

Segundo Piaget (1978), o desenvolvimento da criança acontece através do lúdico, pois a criança precisa brincar para crescer, precisa do jogo como forma de equilibração com o mundo, assim como Vygotsky (1984, p.27), defende que é na interação com as atividades que envolvem simbologia e brinquedos que o educando aprende a agir numa esfera cognitiva, a criança comporta-se de forma mais avançada do que nas atividades da vida real, tanto pela convivência de uma situação imaginária, quanto pela capacidade de subordinação às regras.

Para Vygotsky (1998, p.27), a criança nasce em um meio cultural repleto de significações sociais e historicamente produzidas, definidas e codificadas, que são constantemente ressignificadas e apropriadas pelos sujeitos, constituindo-se assim, em motores do desenvolvimento, deve ser visto como um processo cultural que ocorre necessariamente mediado por outro social.

O jogo é definido por Piaget como a expressão de uma das fases dessa diferenciação progressiva: é o produto da assimilação, dissociando-se da acomodação antes de se reintegrar nas formas de equilibração permanente que dele farão se complemento, ao nível do pensamento operatório ou racional(...) O jogo constitui o polo extremo da assimilação do real ao eu ( PIAGET apud FRIEDMANN, 2006, p.22).

Vygotsky (1998, p.137) afirma que a essência do brinquedo está na criação de uma relação da criança entre as situações de pensamento e situações reais, além disso ele funciona como um importante indicador do seu desenvolvimento e irá influenciar na sua forma de encarar o mundo e suas ações futuras.



A autora Gisela Wajskop (1997, p.81-82) define que brincar é manipular o sentido das palavras, dos sentimentos e da realidade, tendo consciência de que é uma simulação. Brincar é constituir e constituir-se numa linguagem. Brincar é, portanto, uma atividade imaginativa e interpretativa. Brincar é experimentar através da repetição e dessa ação imaginativa outras formas de ser e pensar. É também, repetir o já conhecido para compreendê-lo e adaptar-se a ele.[...] Enfim, a brincadeira é uma atividade sociocultural: origina-se nos valores e hábitos de uma sociedade ou grupo social.


                                               INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA


A imaginação conforme Vygotsky (1998, p.117) é um elemento fundamental da brincadeira e do jogo, pois, sempre que brinca, a criança cria uma situação imaginária na qual assume um papel social, como na brincadeira de casinha, a criança se imagina e utiliza objeto da mesma forma de uma adulto, quando põe a mesa, cuidar dos filhinhos, assumindo assim o papel de um adulto envolvido em uma atividade similar. Nessa perspectiva, a imaginação, o faz-de-conta permite que a criança execute uma tarefa mais avançada do que o usual para sua idade, agindo mais velha do que realmente ela é.

[...] no subperíodo das representações pré-operatórias, uma criança de quatro anos (S) brinca com sua boneca (O); ela atua no nível das intuições. Ela “penteia” a sua boneca, “dá banho” nela, põe pra “dormir”. A boneca fica “arrumada e limpa”, “dorme” tec. Essa troca leva a criança a ter reações, e a boneca a ter pertubações (modificar-se). Assim, a criança vai conhecendo, construindo suas estruturas mentais.(PIAGET apud FRIEDMANN, 2006, p.60).

As crianças utilizam o brinquedo para externar suas emoções, constroem um mundo ao seu modo, questionam o universo dos adultos; nascem em um mundo regido por regras sociais e por meio das brincadeiras adaptam-se e internalizam essas regras. Segundo VYGOTSKY apud REGO (1995, p. 82- 83) o mesmo comenta: “... no brinquedo a criança sempre se comporta além do comportamento habitual de sua idade, além de seu comportamento diário: no brinquedo é como se ela fosse maior do que é na realidade”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS 


 No transcorrer do trabalho, procuramos fazer reflexões sobre a importância das brincadeiras e dos jogos no desenvolvimento da criança. Tais movimentos reflexivos nos levaram a compreender a possibilidade real de ver a ludicidade como fundamental na contribuição para o desenvolvimento pleno das crianças. Tais resultados demonstram que através dos jogos e das brincadeiras, a criança tem a oportunidade não de apenas vivenciar as regras impostas, mas de transformá-las, recriá-las de acordo com as suas necessidades de interesse e, ainda, entendê-las.

Mais do que uma simples recreação, um passatempo, os jogos e as brincadeiras contribuem para a construção de conhecimento das crianças, desde que sejam utilizados em atividades lúdicas, prazerosas. O lúdico proporciona um desenvolvimento pleno, sadio, harmonioso, é significativo para a criança poder conhecer, compreender e construir seus conhecimentos tornar-se cidadã. A criança precisa brincar, inventar e criar para crescer e manter seu equilibro com o mundo, brincar é uma forma de a criança exercitar sua imaginação, construir seu conhecimento, externar suas emoções, experimenta situações de vida como a competição, cooperação, coragem, medo, alegria e tristeza, é uma ponte entre a realidade da criança e a realidade dos adultos.

É através das brincadeiras e dos jogos que podemos compreender como a criança vê e constrói o mundo, quais são seus problemas e suas preocupações, como ela gostaria que fosse o mundo, perceber que faz parte de um grupo, de uma cultura, de uma sociedade. Desde muito cedo o brincar se tornou importante na vida da criança, quando esse se apresenta como uma atividade livre, criando um ambiente adequado para que ela possa investigar, explorar, criar, extravasar suas emoções e resolver conflitos, ou seja, a importância das brincadeiras e dos jogos é considerado como um instrumento incentivador e motivador no processo de desenvolvimento.


                                                               REFERÊNCIAS


FRIEDMANN, Adriana. O brincar no cotidiano da criança. São Paulo: Moderna, 2006.

PALANGANA, Isilda C. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vygotsky – A relevância do social. São Paulo: Summus Editorial, 2001.

PIAGET, J. A formação do símbolo na criança: imitação jogo e sonho, imagem e representação.Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.

REGO, Teresa Cristina. Vygotsky - uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1995.

WAJSKOP, Gisela. Brincar na pré-escola. 2. ed. São Paulo : Cortez, 1997.

 VYGOTSKY, L. S. A Formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1984.





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